Regras – uma reflexão sarcástica

Mural pós-25 abril - © Rui Filipe Gutschmidt
O que são regras? Como surgiram elas? Por que é que precisamos delas? O que é anarquia? Seria só o caos ou talvez um futuro viável para quando a humanidade tenha evoluído? Aqui uma reflexão sobre o tema. Mas não sem um piscar de olhos. 

O NOSSO MUNDO
De Rui Filipe Gutschmidt
Tradução por Rui Filipe Gutschmidt

Regras, são fundamento da nossa sociedade. Elas trazem a estrutura que possiblita a nossa vida em sociedade. Sem regras haveria o caos e o caos seria nosso descalabro a ferro e fogo!

E a anarquia, afinal? “A minha liberdade finda, onde a tua começa” soa bem, mas seria mesmo possível, que realmente nos respeitassemos, sem regras fixadas pelas quais pudessemos nos orientar? Anarquia é uma utopia!
Mas quem faz essas regras que nos deixam atados como num jogo de amor sado-masoquista? A sociedade? Mas quem faz a sociedade se não nós mesmos?
O Nós não me pertence, mesmo que eu faça parte do nós, o nós não é igual ao eu, mas o eu também não se equivale ao nós!

Porquê é que desde os nebulosos primordios da sua existência préhistórica o ser humano precisa impor regras a sí próprio? Será masoquismo ou um possivel impulso maníaco de autodistruição? Ou seria ainda mais uma questão de sadismo, gozo sobre a desfortuna e infelicidade do outro na sua mais pura essencia, o prazer sobre a desgraça e sofrimento alheios mencionado por Erich Fromm em “A Arte de Amar”? Trata-se deste sentimento indiscritivelmente preocupantemente saboroso, que algumas pessoas conseguem sentir, ao demonstrar a sua superioridade e seu poder, torturando e magoando outro ser? Tiveram ambas influência na criação das primeiras regras..?

Penso porem que deverão ter sido as fobias dos recantos mais escuros do nosso sub-ego, as verdadeiras criadoras das regras. Cada regra é um tijolo nas paredes que nos cercam. Esses muros em nossa volta protegem-nos e ao mesmo tempo nos prendem.

O que eu quero, é claro – minha liberdade! Como todos os seres. O que preciso? Proteção! Somos como animais ferozes no zoológico, separados pelos ferros das nossas conduta. Se escapamos das jaulas que são formadas pela moral e nossas regras, então..... SALVE-SE QUEM PUDER?